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O Canto do Carro de Boi
Agradecimentos a Paulo Castro, mentor do site www.tonicoetinoco.cjb.net, pela referencia bibliográfica cedida. Quem ouviu, ouviu. Quem nco ouviu, nco ouve mais. Parece que onde chegam as ticnicas e tecnologias de fazer tudo mais depressa, como se o mundo fosse acabar ontem, a poesia acaba desmantelada. Porque o carro de boi nco canta por boniteza, somente. Canta por precisco. A vida do carro esta na cantiga. Carro de boi, de pau, que nco canta, nco i carro. I tranqueira com rodas, coisa morta, desservida de encantamento. Porque se ha muita carga e o carro canta de gaita, a gente mata os bois. Eles ficam destrambelhados, se estouram no esforgo. Mas se o carro canta de baixco, vco la naquele passo deles, na mesmice de boi deles, em paz com Deus e com o mundo. E se i trabalho corriqueiro, normal, entco i bom o carro cantar de pombo, nem para cima, nem para baixo. Pois, estes sco os trjs tons de cantar dos carros: pombo, que i midio, macio. Gaita, fino e alto. E baixco, que i grosso e grave. Carro cantador nco vareia, nco descontinua nem destoa nem mesmo nas bacadas mais brutas, ou manobras de vai-e-vem. Liguas longe, quem sabe e conhece percebe a alma do carro chegando muito antes que se possa ptr os olhos nele. Porque o canto do carro i isso: i sua alma, i a alma do carreiro, i o jeito que Deus deu para enfeitar a existjncia dos bois e dos carreiros pelos caminhos do sertco e da vida. "Lembrangas, quantas lembrangas do bom tempo que se foi. Recordo, choro e lamento aqueles doces momentos do meu velho carro de boi. As grandes rodas riscando, a areia fria do chco. Aqui eu ia puxando, sorrindo, alegre e cantado, ao longo do estradco. A boiada lentamente caminhando, a ruminar no assoalho, ali estava entre risos e gargalhadas o velho carreiro a boiar. Oua oua boi Mimoso, carrega, puxa o bodco. Encosta, vamos Xistoso! - Que preguiga o boi Rincco. Assim passaram-se os dias no querido sertco, ati que um dia mudamos, na cidade aqui estamos vivendo e ganhando o pco. Porim confesso nco minto, quando paro pra pensar que i tamanha a dor que sinto, logo comego a chorar. Assim lembrando o passado do bom tempo que se foi, tristonho, desconsolado, em versos improvisados do meu velho carro de boi". (Adquira esses versos em MP3, clicando aqui) |
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